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O romantismo escondido no „fim do mundo” 22 stycznia 2006
  



O romantismo escondido no „fim do mundo”

 

  Uma praia deserta onde acaba a terra e começa o desconhecido....Um par de olhos olhando o pôr do sol....As ruas estreitas cheias de cantinhos românticos.....O romantismo pode-se encontrar em qualquer lado mas existem lugares onde a história, o ambiente e as paisagens formam uma mistura devaneadora inesquecível. Será que um país escondido algures onde começa o oceano pode oferecer-nos locais que emanem de erotismo? Uma viagem até ao fim do nosso continente permite-nos descobrir todos os encantos de Portugal.

 

  Começamos a nossa viagem pelo Norte do país onde encontramos a inesperada magia da serra do Gerês. As cascatas que aparecem de vez em quando entre as colinas cobertas de flores silvestres, o cheiro dos pinheiros e os sopros do vento na folhagem das árvores criam um ambiente fabuloso. Observando a vida dos habitantes das aldeias serranas, esquecemo-nos da confusão do nosso dia-a-dia. Neste lugar, onde o tempo parece ter parado, pode-se desfrutar do melhor que a natureza portuguesa nos oferece.

 

  Seguindo rumo ao Sul, nas margens do Douro, escondem-se solares, adegas e quintas submersas no verde rico das vinhas. Naqueles locais bucólicos pode-se provar um dos tipos de vinho de Porto, o “néctar dos deuses” conhecido no mundo todo. O aroma e a cor intensa do vinho faz-nos lembrar os passeios nos antigos barcos rebelos comparados pelos habitantas da região às viagens pela Veneza romântica. As encostas cortadas pelas estradas que serpenteiam a serra surpreendem-nos com a variedade de paisagens e locais que ainda ficam por descobrir.  

 

  Contudo, não há melhor lugar para os primeiros namoros que a cidade de Coimbra, marcada pelo amor e pela tragédia de Inês de Castro e Dom Pedro. Quem podia resistir ao encanto das ruas estreitinhas onde os estudantes vestidos de capas pretas cantam músicas “à menina que está na janela”? É impossível ignorar o ambiente dos parques nas margens do Mondego, onde casais dos jovens, de mãos dadas, confessam os seus sentimentos. Os corações dos habitantes de Coimbra batem ao ritmo do fado, das festas que acabam só quando o sol nasce e do amor juvenil que, mesmo depois de muitos anos, não pode ser esquecido.

 

  A nostalgia do fado persegue-nos até Lisboa. Mesmo sem querer, perdemo-nos na rede estreita das ruas do Bairro Alto, cheias de restaurantes e bares, que têm muito pulso durante a noite toda. A vista para o mar desde os inumeráveis miradouros, que já inspiraram vários escritores e poetas, traz à memória a imagem das mulheres vestidas de preto que, cantando músicas tristes, esperavam em vão o regresso dos seus homens perdidos no mar. A capital, que parece mergulhar nas flores de buganvília, fornece-nos momentos inesquecíveis cujo romantismo ficará gravado na nossa mente para sempre. Apesar de ser um lugar cosmopolita, Lisboa consegue manter o seu encanto nostálgico tão típico para as cidades portuguesas.

 

  A poucos kilómetros de Lisboa fica a serra de Sintra, a pérola do romantismo português. Essa zona durante séculos foi escolhida pelos reis e príncipes que ali edificaram palácios e quintas com impressionantes jardins ideais para as conquistas amorosas. O Palácio da Pena, fruto dos sonhos dum rei artista, Dom Fernando, aparece de repente no labirinto da vegetação abundante submersa numa neblina húmida. Vale a pena passear pelas estradas da serra, entrar nas quintas e descobrir miradouros com as paisagens de cortar a respiração. Não há melhor lugar para contemplar a paixão pela natureza tão característica para o estilo arquitectónico romântico. Nos recantos mais escondidos de Sintra trocam-se juras de amor e partilham-se os momentos ímpares com alguém especial. Não obstante, o ambiente sintrense não vai ser completo sem conhecermos o sabor da famosa queijada de Sintra.

 

 

  A nossa viagem acaba no Sul do país, nas arenosas praias do Algarve onde a voz das gaivotas acompanha o murmulho do mar. Nesta área da costa do Atlântico, as memórias são ainda quase mais mouras que lusas. As casinhas brancas parecem ser sacadas de um conto para crianças que têm sempre um bom final. O vaivém das marés traz o cheiro das terras desconhecidas e da aventura à qual nos convida o pôr do sol. É preciso sentar-se à beira-mar e deixar que o vento nos conte histórias dos navegadores que por ali passaram, as histórias de Portugal, um país romântico escondido no “fim do mundo”.

 

Natalia Czopek

 

Artykuł ukazał się w czasopiśmie wydziału Iberystyki UW "¿?"

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